Beagá grafitada: conheça mais sobre a arte urbana da capital mineira

Beagá grafitada: conheça mais sobre a arte urbana da capital mineira

dezembro 3, 2020 Off Por Bendizê

O grafite é um tipo de arte que vem sendo cada vez mais valorizado no Brasil e no mundo, demarcando uma diferenciação explícita em relação à pichação, considerada um ato de vandalismo que degrada o conjunto arquitetônico — por muito tempo, essa associação entre uma coisa e outra fez com que houvesse bastante preconceito em relação ao grafite. 

Capaz de transformar o cenário urbano, dando vida e cores às cidades, o grafite também é, muitas vezes, instrumento de transformação social. Ele proporciona oportunidades a jovens das periferias, que ao se tornarem artistas acabam inspirando outros jovens de suas comunidades.

O movimento de arte urbana em BH vem se intensificando bastante nos últimos tempos. Conheça agora alguns dos principais grafiteiros de BH, que estão colorindo a paisagem urbanística e fazendo da capital mineira uma verdadeira galeria de arte a céu aberto!

Priscila Amoni

Ela é uma das idealizadoras do Cura (Circuito Urbano de Arte), que vem revolucionando a arte de rua em BH. Mestre em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Faculdade de Lisboa, em Portugal, Priscila trabalha como muralista e tem painéis de sua autoria espalhados pelo Brasil e pela França. 

É dela, por exemplo, o mural Dralamaale, de 850m que fica na fachada cega do Hotel Rio Jordão (pintado festival do Cura em 2017). A característica marcante de sua arte é o hibridismo em figuras de mulheres-plantas, buscando representar a não separação entre o ser humano e a natureza. 

Criola

Mineira de Belo Horizonte e graduada em Design de Moda pela Universidade Federal de Minas Gerais, ela é uma das artistas mais relevantes na cena da arte urbana brasileira atualmente, e é considerada uma porta-voz da nova safra de mulheres grafiteiras.

Tainá Lima, mais conhecida como Criola, faz questão de celebrar sua ancestralidade, representando as matrizes africanas em seu grafite. A paleta de cores vibrantes e a presença de símbolos da resistência negra são marcas registradas de sua arte. 

Wanatta

Grafiteira e artista visual, imprime questões étnico-raciais e a representatividade feminina em seu trabalho artístico. Ela faz do grafite uma ferramenta de afirmação da identidade negra e periférica, mesclando técnicas que usam pastel seco, pastel oleoso e tinta spray sobre tela. Suas criações podem ser vistas nos muros de BH, principal forma que Wanatta Rodrigues usa para nos presentear com seu olhar sensível.

Minas de Minas Crew

Um grupo de quatro mulheres grafiteiras: Krol, Viber, Nica e Musa. Cada uma tem seu estilo próprio de fazer arte, mas um propósito em comum as une: inspirar e incentivar mais mulheres a ocupar a cena do grafite e também do hip hop. 

As figuras de mulheres fortes estampadas no túnel da Lagoinha (sentido Centro) e nas escadas que ligam a Estação Central do metrô à rua Sapucaí são de autoria delas. Se você passou por lá, com certeza elas chamaram sua atenção!

Maria Raquel Bolinho

Criadora do famoso personagem “Bolinho”, um cupcake que está estampado em vários pontos da capital mineira, além de Itabira e São Paulo. O bolinho já foi adaptado a temáticas variadas, mas sempre apresenta cores vivas e traços fortes. O intuito da artista foi dividir sua paixão por doces e bolos colorindo a cidade

Ela já criou painéis em locais como o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, a Cidade Administrativa, o Palácio da Liberdade, a Universidade Estadual de Minas Gerais, a Escola de Saúde Pública de Minas Gerais e a Rodoviária de BH.

Zé D Nilson

Do ofício de pedreiro, ele trouxe a espátula com qual constrói seus murais cheios de texturas. De sua história de vida, provavelmente vem a inspiração para sua arte generosa e reflexiva, carregada de sentimento e originalidade. 

O primeiro painel foi feito em um viaduto no Lagoinha, bairro em que vive, quando encontrou um ex-companheiro de orfanato e criou a obra com restos de tinta e de materiais de construção em homenagem ao amigo, como forma de tentar animá-lo em um momento difícil. Daí vieram outros convites e a oportunidade de espalhar sua arte pela cidade.

Nilo Zack

Sua marca registrada são pinturas realistas de crianças com pintura de palhaço — ele faz a maquiagem, fotografa a criança e depois cria os painéis a partir da foto. Na contramão de uma tendência artística que despontou nos últimos anos de retratar “palhaços sinistros”, Zack busca resgatar a pureza e a alegria originalmente associadas a essa figura.

Ele nasceu e cresceu no Taquaril, bairro da zona leste de Belo Horizonte, que transformou em seu ateliê a céu aberto.

Davi de Melo Santos

Mais conhecido como DMS, ele iniciou a carreira no grafite aqui em BH, sua cidade natal, em meados de 1998. De lá para cá, participou de exposições na Itália, Alemanha, Inglaterra, Palestina, Tailândia e Taiwan. Também já fez trabalhos com grandes marcas e empresas, para as quais criou ilustrações editoriais, designs, ilustrações de livros e cenários para teatro e televisão. 

Suas obras são inspiradas, principalmente, em questões espirituais ligadas à busca pelo desenvolvimento humano.

Thiago Mazza

Autor da icônica pintura O Galo e a Raposa (retratando os mascotes dos dois principais times do futebol mineiro), que fica bem no Centro de BH, ele também já fez trabalhos em países como Suécia, Croácia, Rússia, Espanha, Inglaterra e México.

Formado em Design Gráfico pela UEMG, Mazza era publicitário antes de se tornar grafiteiro de forma autodidata. Outra obra de destaque dele é o painel “O Jardim” que fica no espaço Be Green do Boulevard Shopping, em que estão presentes os elementos mais característicos de sua arte, muito ligada à fauna e à flora, refletindo sua paixão pela natureza.

Em muitos casos, além da beleza visual, o grafite é uma arte que traz consigo denúncias sociais e protestos de vários tipos. Ele contribui para revitalizar espaços abandonados ou esteticamente desagradáveis antes das intervenções. Isso influencia positivamente o cotidiano desses lugares, onde geralmente outros tipos de arte não chegam.   

Gostou de conhecer um pouco mais sobre os grafiteiros de BH? Conhece outros artistas que merecem ser mencionados? Deixe um comentário!