É junto dos bão que a gente fica mió: uma frase pra levar pra vida

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Você sabe de onde surgiu e o que significa a expressão “é junto dos bão que a gente fica mió”? Neste post, além de conhecer melhor essa história, você vai entender por que é, afinal, que “é junto dos bão que a gente fica mió”, e por que vale a pena levar essa frase pra vida!

É junto dos bão que a gente fica mió: a origem da expressão

“Grande Sertão: Veredas” é um dos grandes clássicos da literatura brasileira, obra-prima do ilustre Guimarães Rosa, escritor mineiro e um dos maiores autores nacionais.

Em seu único romance, publicado em 1956, o autor combinou elementos da primeira fase do modernismo — como o experimentalismo linguístico —, e da segunda fase do movimento, representada na temática regionalista.

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Escrito em primeira pessoa, o relato de Riobaldo — um ex-jagunço que recorda suas lutas, seus medos e seu amor reprimido pelo amigo Diadorim —, é marcado por uma linguagem inovadora, cheia de aforismos e neologismos criados pelo autor, reconhecido pela sua originalidade. 

Guimarães Rosa se inspirou na fala do homem simples do sertão, de quem sempre esteve próximo. Em uma viagem de dez dias pelo sertão mineiro, Rosa percorreu 240 quilômetros, conduzindo uma boiada e anotando expressões, casos e histórias para posteriormente recriar o sertão de forma literária.

Em suas mais de 600 páginas, o livro é recheado de frases que ficaram marcadas na história — dentre elas: “é junto dos bão que a gente fica mió”. Outras que se tornaram bastante conhecidas e/ou que carregam mensagens profundas e dignas de reflexão, foram as seguintes:

  • “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
  • “Viver é um rasgar-se e remendar-se.”
  • “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.
  • “Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”.
  • “Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho de Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente”.
  • “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.
  • “Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só fazer outras maiores perguntas”.
  • “Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.
  • “O senhor sabe o que é silêncio é? É a gente mesmo, demais”.
  • “Sertão: é dentro da gente”.
  • “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”
  • “Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era — ficar sendo!”
  • “Viver é um descuido prosseguido. Mas quem é que sabe como? Viver…o senhor já sabe: viver é etcetera…”

Cerque-se de boas pessoas e você será uma pessoa melhor

Há um ditado que afirma que somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos. Seguindo essa lógica, devemos nos cercar de pessoas boas, com atitudes nas quais possamos nos inspirar para nos tornarmos pessoas melhores. 

Crescemos pessoal e profissionalmente quando convivemos e nos relacionamos com quem nos estimula a evoluir sempre , compartilhando conhecimentos, afeto, conselhos, boas conversas e, assim, promovendo um apoio mútuo.

Pessoas que tenham visões e opiniões diferentes das nossas, mas com valores fortes e admiráveis, também podem nos acrescentar muito, fazendo com que possamos enxergar novas perspectivas a partir de pontos de vista diversos sobre o mundo e os acontecimentos.

Outra passagem do livro “Grande Sertão: Veredas” que também pode ser levada em consideração nesse contexto é a seguinte:

“Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou — amigo — é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é”.

Entendeu agora o que significa “é junto dos bão que a gente fica mió”? 😉

Guimarães Rosa e a mineiridade

João Guimarães Rosa nasceu na cidade mineira de Cordisburgo, em 1908. Além de ter sido um dos maiores escritores brasileiros, conforme mencionamos, foi médico — se formou em Belo Horizonte e exerceu a profissão por pouco tempo, em cidades do interior mineiro, como Barbacena e Itaúna — e diplomata — falava cerca de 9 idiomas.

Na época em que iniciou seus estudos em Medicina na Universidade de Minas Gerais, antigo nome da atual UFMG, escreveu seus primeiros contos, que foram publicados na revista O Cruzeiro. Considerado um dos melhores romancista da terceira geração do modernismo, ganhou vários prêmios e chegou a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, morrendo alguns dias depois de sua posse, aos 59 anos. 

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Museu Guimarães Rosa – Cordisburgo-MG

Boa parte das histórias escritas por ele se passam no sertão de Minas Gerais. Guimarães Rosa surpreendeu crítica e público, indo na contramão da tradição regionalista — que se limitava a fazer uma representação caricata do homem do campo e de seus costumes —, e deu voz ao homem do sertão utilizando técnicas narrativas inovadoras, por meio do discurso direto e indireto livre e lançando mão de recursos poéticos até então não utilizados na prosa, como metáforas, aliterações e onomatopeias.

Em Sagarana, reuniu contos que retratam a paisagem mineira de maneira viva e colorida, o cotidiano das fazendas, dos vaqueiros e dos criadores de gado. As personagens expressavam os aspectos pitoresco de seu dia a dia no campo.

Além disso, em sua obra, fez inúmeras denúncias de mazelas sociais, representou excluídos e desajustados, criou um universo mítico e estimulou reflexões diversas sobre questões humanas, em geral, e dicotomias como “bem x mal”, “Deus x diabo”, “guerra x paz”, “alegria x tristeza”, “medo x liberdade”, “guerra x paz” etc.

Camisetas com frases mineiras: estampando um sentimento

Nós, mineiros, temos bastante orgulho do nosso estado e das nossas origens, incluindo aspectos característicos da nossa cultura, como o sotaque e a culinária. Além disso, temos fama de sermos receptivos, hospitaleiros e amigáveis — mas também um tiquim desconfiados.

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Uma das formas de expressar esse sentimento é usando camisetas com frases mineiras, seja você um mineiro de nascença ou de coração. Muitos forasteiros também gostam de usá-las por se identificarem com as mensagens presentes nas camisetas de Minas Gerais ou até para demonstrar seu carinho e admiração pela nossa terra, afinal, é junto dos bão que a gente fica mió, né não?

Expressões mineiras divertidas (e às vezes, pouco conhecidas) fazem sucesso nas estampas de camisetas, como “arreda” e “nuuuh”, além daquelas que entregam logo de cara toda a mineiridade do sujeito: “uai” e “trem”, por exemplo.

Assim como em Grande Sertão: Veredas, o sertão não era apenas um lugar físico, mas também um estado de espírito, ser mineiro não se trata somente de um aspecto geográfico relativo ao estado onde nascemos e/ou vivemos, mas do nosso modo de vida e de tudo o que envolve o universo simbólico de Minas Gerais, tão bem representado na obra de Guimarães Rosa, que “reinventou” a língua portuguesa, criando novos vocábulos cheios de mineirice.

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